O Orkut é um
serviço que traz diferentes ferramentas de classificação de
amizade e popularidade de seus membros. Para entrar, o
interessado precisa receber um convite de outro usuário
registrado. Do total de usuários do Orkut, cerca de 30% são
brasileiros e 30% são dos Estados Unidos.
Sacada - O Orkut faz parte dessa nova geração. A rede leva o
nome de seu criador, o turco-alemão Orkut Buyukkokten, um
funcionário do Google - o mais famoso site de busca na rede. Sua
criação foi uma genial sacada de marketing. O Google tem milhões
de acessos diários, mas a empresa não sabe quem são os usuários.
É por isso que o Orkut foi criado. Para entrar no grupo, o
internauta tem que ser convidado por um amigo. Depois, preenche
um cadastro com informações pessoais e profissionais. Com essas
valiosas fichas, basta ligar as duas bases (Google e Orkut) e
descobrir quem são e o que querem os membros do Orkut que
acessam o Google. Aí fica fácil personalizar os anúncios,
tornando-os mais eficientes. Já cadastrado, o usuário entra na
página do amigo que o convidou e passa a procurar velhos
conhecidos na lista dele. O segundo passo é convidar quem ele
encontrou para também integrar sua lista. E a graça é essa
mesmo: procurar amigos nas listas dos amigos e dos amigos dos
amigos, formando uma rede interminável. É uma derivativa daquele
conceito de six degrees, pelo qual todos estão separados por
seis pessoas, ou, "todo mundo conhece alguém que conhece alguém
que conhece a Madonna". Além de se relacionar, os usuários
também podem abrir fóruns de discussão temáticos.
O charme do Orkut é o fato de ser uma espécie de máfia virtual,
já que a inscrição não é aberta a todos. "O Orkut é só um fórum
mais sofisticado, mas o caráter de comunidade secreta atrai",
explica a psicóloga Ivelise Fortin, do Núcleo de Pesquisa de
Psicologia em Informática da PUC/SP. No Brasil e nos Estados
Unidos, já houve quem tentasse vender convites para a rede em
sites de leilão. O disputado ingresso chegou a custar US$ 10.
Ivelise pondera ainda que é curioso o sucesso do Orkut porque,
ao contrário dos chats e comunidades tradicionais, o usuário
fica totalmente exposto no site.
Na ficha pessoal há, inclusive, um álbum de fotos, além de dados
que vão desde telefones até livros preferidos e orientação
sexual.
Há quem diga que, no Brasil, o que mais atrai os usuários para o
Orkut é o voyeurismo. Outro especialista no assunto, o professor
Sérgio Bicudo, também da PUC-SP, compara a ferramenta ao Big
Brother. "Não é só uma comunidade, é uma comunidade de
comunidades. Há muito voyeurismo, as pessoas querem saber quem é
amigo de quem, quase um Big Brother", afirma. O músico paulista
Dudu Tisuda, 25 anos, está cadastrado no grupo há um mês e já
tem mais de 150 amigos na sua lista. "Não deixa de ser uma
atividade egocêntrica e carregada de certo voyeurismo. A maioria
se expõe, fala de suas predileções, publica várias fotos. O
lance é ver e ser visto", diz ele. Os "orkutianos" podem
escrever recados e elogios nas páginas de seus amigos e esses
textos ficam expostos no perfil do usuário, para todo mundo ver.
Em alguns, eles escrevem o que acham da pessoa - são os
testemunhais. É o que Dudu mais gosta de fazer. "Adoro escrever
e ler os recados dos meus amigos", conta. Enquanto trabalha no
computador ou ouve músicas, Dudu man tém o site do Orkut aberto
e está sempre conferindo se tem algum amigo, recado ou e-mail
novo. Por meio do grupo, ele também divulga seu trabalho e
convida os amigos e amigos dos amigos para seus shows.
Comunidades virtuais também disputadíssimas no Brasil são as de
blogs fotologs.
O site fotolog.net, que hospeda diários fotográficos de
internautas do mundo todo,já não aceita mais cadastro grátis de
brasileiros, que ocuparam mais da metade das páginas. Dos 360
mil diários, 183.348 são do Brasil. E a graça é entrar na página
dos amigos, conhecidos e recém-conhecidos e fazer comentários
sobre as fotos deles, o que acaba gerando uma rede de quem tem
fotolog, parecida com a de comunidades tradicionais. Uma
empresaria de 26 anos, criou seu diário há um ano e passou a
publicar fotos suas e de seus amigos. Com a sócia resolveram,
então, criar um fotolog da marca, com fotos das peças que
desenham. "É como um site, só que de graça. Começamos a receber
pedidos e encomendas pelo fotolog. Hoje, já vendemos para vários
Estados do Brasil", conta. A mais nova sacada da empresária,
que, claro, também são membros do Orkut, é usar a comunidade
para divulgar a grife e angariar clientes também na máfia
virtual do Google. Sinal dos tempos.
(autor desconhecido)
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